Utentes de lar em Mirandela vão criar peças de mobiliário a partir de sobrantes de madeira doados

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Qui, 27/11/2025 - 13:20


As peças vão posteriormente estar à venda, com a receita a reverter na íntegra para a instituição

A Direção do Lar Residencial da Delegação de Mirandela da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) e a Carpintaria Mofreita (Macedo de Cavaleiros) assinaram, na passada sexta-feira, um protocolo de cooperação no âmbito do projeto “excedentes criativos”, que aquela empresa já tem em vigor, há algum tempo.

Trata-se de uma iniciativa que transforma sobras de madeira em peças únicas, idealizadas pelos alunos de Arte e Design do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), e produzidas por pessoas com necessidades especiais.

A venda dos produtos reverte 100% para as instituições, auxiliando-as financeiramente nas suas atividades e apoiando o desenvolvimento de projetos sociais.

Filipe Mofreita, o proprietário da Carpintaria explica que a ideia surgiu, “numa noite em que estava com a minha esposa na fábrica a fazer um presente de Natal para a minha irmã, e decidimos começar a fazer objetos que iam sobrando da produção da fábrica, objetos engraçados e que achamos que era mau atirar ao lixo, ou irem para biomassa, para aquecimento, e começamos então a guardar esses excedentes da produção”, conta.

“Começamos a guardar e optamos por dar às instituições e elas poderem fazer alguma coisa e depois vender. O que é certo é que isto depois começou a crescer e os excedentes criativos tornaram-se num projeto de inclusão mais global”, acrescenta Filipe Mofreita, revelando que o passo seguinte foi estabelecer uma parceria com o IPB. “Foi a primeira instituição que contactamos para os alunos de arte e design desenharem peças para esta iniciativa”, adianta.

O passo seguinte foi catalogar tudo para divulgar estes produtos, temos isto tudo numa base online, e é aberto a toda a comunidade, sempre com o intuito de ajudar as instituições locais que cuidam destas pessoas com tanto carinho e com tanto afeto, e pessoas que o merecem fazer”, diz Filipe Mofreita.

O projeto já teve bons resultados com a parceira entre a Carpintaria Mofreita e a Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Macedo de Cavaleiros (CERCIMAC), dado que as peças criadas pelos utentes da instituição estiveram numa exposição e foi tudo vendido com o dinheiro a ser na totalidade para a CERCIMAC.

Uma nova parceria surge agora com o Lar Residencial da APPACDM de Mirandela. “Já andávamos a namorar há algum tempo e surgiu agora a oportunidade de trabalharmos com esta instituição para podermos ajudar”, confessa.

A diretora daquela valência diz que o desafio lançado pela carpintaria foi “prontamente aceite”, porque, para além de ser apoiado numa base sustentável, haver desperdício zero, é uma forma também dos nossos atentes de ter informação nesta área que nunca tiveram e de poderem aqui participar, aprender, desenvolver as competências manuais, desenvolver também a criatividade e estarem e participarem na produção dos produtos”, sustenta Joana Fernandes.

A diretora acrescenta que a iniciativa também serve para todos “perceberem que as pessoas com deficiência têm muitas capacidades, portanto não estamos só a focar-nos na incapacidade, aqui na capacidade, naquilo que eles conseguem de facto fazer”, sublinha.

As peças propostas para os utentes do Lar residencial da APPACDM criarem através dos excedentes criativos, são “uma coleção de objetos de mesas de centro, consolas de entrada e mesas de apoio ao sofá”, revela Filipe Mofreita que aproveita para deixar um apelo aos artistas locais: “Para se associarem ao projeto, temos a casa aberta para que eles possam desenhar, podem ver online e ao vivo, e teremos todo o prazer que eles participem e que se juntem a esta causa”.

E os utentes do Lar da APPACDM já começaram a trabalhar para criar as novas peças resultantes de madeiras sobrantes.

Escrito por Rádio Terra Quente (CIR)