Qua, 07/01/2026 - 11:15
Depois de cerca de um ano e um mês ligado a este desporto motorizado em contexto competitivo, o jovem piloto vai estrear-se como profissional já em fevereiro, integrando simultaneamente o Penta Control e o Troféu Norte. “É um desporto que adoro e pelo qual sou apaixonado”, afirma Miguel Vaz, que recordou com entusiasmo o início do percurso competitivo. “A primeira vez que participei num campeonato correu bem e, a partir daí, foi sempre a evoluir”, sublinhou. No último ano, o piloto brigantino realizou um total de nove provas em território nacional, experiência que lhe deu a confiança necessária para subir de patamar.
A transição para um nível mais profissional traz, no entanto, um peso financeiro significativo. As deslocações, o material, as inscrições e a manutenção da mota representam um investimento elevado, assumido quase na totalidade pelo próprio piloto. “Tenho alguns patrocinadores aqui da região, poucos, porque há pouca gente que gosta deste desporto. Acaba quase tudo por sair do meu bolso, mas é o que eu gosto de fazer e invisto no que gosto”, explica. Para já, a estrutura é simples e familiar. “A minha equipa sou eu, o meu pai e a minha mãe”, contou Miguel. O pai assume um papel de apoio fundamental, embora o jovem piloto prefira tratar pessoalmente da mecânica da mota. “Em termos de mecânica, prefiro ser eu a mexer na mota. O meu pai está lá para apoiar.”
A época que se avizinha será exigente. O Penta Control contará com nove provas, enquanto o Troféu Norte terá sete, em fins de semana distintos, o que obrigará a um calendário apertado. “Um fim de semana vou para uma prova, no seguinte para a outra. Vai ser assim”, referiu. Em termos orçamentais, Miguel Vaz faz contas por alto e estima despesas entre os 9 a 10 mil euros, apenas em inscrições, equipamentos, revisões e fatos, sem contar com deslocações ou imprevistos. “Se houver um acidente, se partir a mota ou até problemas com o carro, tudo isso são extras”, acrescentou. No total, a época poderá somar cerca de 20 provas.
A preparação passa por treinos sempre que possível. “Treino sempre que tenho uma folga. Sempre que posso, agarro na mota”, explicou. A pista mais próxima é em Alfândega da Fé, uma infraestrutura privada criada por um colega. Miguel lamenta a inexistência de infraestruturas em Bragança e o encerramento da antiga pista de Macedo de Cavaleiros, que já recebeu provas internacionais.
Sem criar expetativas desmedidas, o jovem piloto entra na nova época com os pés assentes no chão. “É dar tudo e tentar fazer o melhor possível. Chegar o mais à frente que conseguir”, afirmou, afastando a pressão de resultados imediatos. “Ser campeão logo no primeiro ano é complicado. Vou tentar obter o melhor resultado possível e espero que a mota colabore.” Miguel Vaz compete na classe Promoção, uma categoria vista como porta de entrada para níveis superiores. A mota será uma 250cc, a mesma para ambos os campeonatos. “Foi a mota com que melhor me adaptei até agora e vou continuar com ela”, garantiu.
Como inspiração, aponta o piloto Haiden Deegan, figura de referência no motocross internacional, admitindo que sonha, um dia, chegar a um patamar semelhante. Ainda assim, reconhece as dificuldades do desporto em Portugal. “No Norte e em Portugal é muito complicado. Não há grande saída nem grandes patrocínios. São quase sempre equipas particulares.”
Com o arranque da época marcado para fevereiro, Miguel deixa também um apelo a possíveis patrocinadores. “Qualquer ajuda é bem-vinda, mesmo que seja pouca. Agradeço muito. Faço a melhor publicidade que conseguir, seja na mota ou em fotografias.” Determinando, apaixonado e consciente dos desafios, Miguel Vaz inicia assim uma nova etapa no motocross, levando o nome de Bragança para as pistas nacionais, prova-a-prova.
Escrito por rádio Brigantia




