Pais descontentes com transporte de crianças que vivem nas aldeias de Carrazeda e frequentam escola na vila

Seg, 26/09/2022 - 09:09


Está a gerar descontentamento os horários de transporte das crianças que vivem nas aldeias do concelho de Carrazeda de Ansiães e frequentam o pré-escolar e primeiro ciclo na vila

No primeiro dia de aulas, crianças foram recolhidas as 7h15 e andavam quase duas horas de autocarro a percorrer as restantes aldeias até chegarem à escola.

As primeiras crianças a serem recolhidas eram as de Foz Tua, que fica a cerca de meia hora do centro da vila, mas o autocarro passava às 7h15, quase duas horas antes do início da aula. Os pais não aceitaram o horário, que ainda foi praticado no primeiro dia. Depois de reunirem com o município, os alunos passaram a ser apanhados meia hora mais tarde. Olga Silva, que tem um filho de 6 anos, considera que ainda assim é muito cedo, porque as crianças ficam 40 minutos à espera até começar a aula.

“Vão meia hora mais tarde, só que essa situação ainda não nos satisfaz, porque os meninos saem de casa às 7h45, chegam à escola por volta das 8h20 e têm que esperar cerca de 40 minutos para entrarem na sala de aula. O ideal era manter-se como até ao ano passado, em que os meninos saiam daqui do Tua por volta das 8h15 e chegavam à escola mais ao menos um quarto de hora antes das 9h”, disse.

Nos anos anteriores, os alunos de Foz Tua eram recolhidos às 8h15, meia hora mais tarde do que está a ser feito este ano. Olga Silva diz que pouco tempo resta para os mais novos aproveitarem fora da escola.

“São crianças pequenas, que têm que se levantar extremamente cedo e aqui os invernos não são propriamente agradáveis e depois são meninos que já passam o dia inteiro na escola, chegam relativamente tarde a casa, eles não têm tempo de conviver com a família, têm que fazer os trabalhos de casa, mas gostaríamos que a situação pudesse ficar como estava o ano passado”, apontou.

Andreia Gonçalves vivia no litoral, mas mudou-se para Foz Tua à procura de melhor qualidade de vida. Tem uma filha de 9 anos. Quando se deparou com esta situação diz ter ficado desiludida e admite ser um entrave a ter mais filhos.

“As aldeias já têm poucas crianças e Foz Tua até é uma das aldeias que mais crianças tem. Ao vermos isto, eu não tenho o incentivo de pensar em ter mais filhos ou poder contar com este apoio. Alguém que faz um horário desta maneira e um circuito desta maneira não está a pensar no bem-estar das crianças”, criticou.

De acordo com o presidente da União das Freguesias de Castanheiro e Ribalonga, à qual pertence Foz Tua, José Marques, estão a ser feitos os possíveis junto do município para que haja um novo ajuste do horário.

“Nós freguesia e o município também, que já reunimos nesse sentido, entendemos. O município está a fazer todos os esforços de modo a que consigam melhorar estes horários. Ainda não foi possível, mas existe esse compromisso”, disse.

O transporte é dividido em dois circuitos, mas com o mesmo autocarro, o que obriga a que as primeiras crianças recolhidas fiquem aguardar até ao início das aulas. E à tarde, são as crianças das aldeias mais perto que ficam na escola mais tempo até que o transporte seja feito.

Aos encarregados de educação, o município explicou que o transporte este ano é feito pela câmara, que tem apenas um autocarro e, por isso, são praticados estes horários. Foi-lhes garantido que esta situação se iria resolver no prazo de 15 dias. 

Contactado o presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, explicou que nos anos anteriores este transporte era contratualizado externamente, mas este ano como não houve propostas válidas, tem que ser feito pelo município. João Gonçalves diz que estão a trabalhar para melhorar a situação, que passará pela utilização de outra viatura. 

"A câmara municipal organizou-se para internamente responder à necessidade de transportar os alunos que tem requisitos especiais tanto nas viaturas, como nos condutores e, por isso mesmo, não foi possível fazer o número de circuitos que queríamos. Vamos ver se é possível contratualizando ou com meios próprios", explicou.

O município de Carrazeda de Ansiães diz que espera resolver a situação brevemente.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Ângela Pais