BE vai pedir à Comissão Europeia o cancelamento da construção do parque eólico de Mirandela

Seg, 21/11/2022 - 09:14


O Bloco de Esquerda vai pedir à Comissão Europeia que não permita o início das obras do parque eólico previsto para a Serra de Santa Comba, no concelho de Mirandela, enquanto não estiver concluído o processo de classificação de Sítio de Interesse Público de uma área daquela serra que tem a maior concentração de pintura rupestre do nosso país

Essa intenção foi dada a conhecer, no fim-de-semana, pelo deputado europeu José Gusmão, numa visita ao local na companhia de vários arqueólogos e de membros de um movimento, entretanto criado, para defender a preservação das pinturas rupestres com mais de sete mil anos de existência.

O eurodeputado bloquista é peremtório: “É óbvio que o país precisa de aproveitar o potencial que tem na produção de energias renováveis, mas esse aproveitamento não pode ser feito à custa da destruição de património cultura e natural sobretudo tão rico como aquele que existe aqui”.

Para José Gusmão, não restam dúvidas de que a região transmontana só tem a perder caso avance a instalação dos seis aerogeradores. Do que se trata é de fazer um aproveitamento que irá servir a quem avançar com o empreendimento e que o único contributo que trará à região é a destruição de um dos mais valiosos ativos naturais e arqueológicos da zona, pelo que esta região só vai perder com a instalação do parque eólico e tem tudo a ganhar é com a classificação deste património”, defende.

O deputado bloquista do Parlamento Europeu desconfia que o operador, que pretende construir o parque eólico na serra de Santa Comba, esteja a tentar avançar o mais rápido possível para se antecipar à conclusão do processo de classificação de Sítio de Interesse Público de uma área da serra com uma zona especial de proteção que inclui precisamente o local onde está prevista a instalação de seis aerogeradores, num investimento superior a 30 milhões de euros.

Para evitar que isso aconteça, José Gusmão vai expor o caso à Comissão Europeia. “Vamos pedir às instituições europeias que garantam que não se vai criar um facto consumado, enquanto o processo de classificação desta zona de interesse público prossegue, porque senão isto seria criar um precedente gravíssimo em que cada vez que uma zona entre em processo de classificação passe a haver uma espécie de corrida aos empreendimentos destruidores e isso não podemos permitir que aconteça”, refere José Gusmão.

Mais uma voz a fazer-se ouvir na contestação à construção do parque eólico na serra de Santa Comba, numa área do concelho de Mirandela, que vem juntar-se aos apelos da comunidade científica, em Portugal, e até da Federação Internacional de Arte Rupestre e da própria Unesco para a suspensão do projeto.

A nível local, a Assembleia Municipal de Mirandela também já aprovou, há pouco mais de uma semana, uma recomendação para a reapreciação dos pareceres que deram o aval à construção do parque eólico.

Escrito por Terra Quente (CIR)

Foto: Rádio Terra Quente