Ministro da Agricultura e Mar anunciou em Bragança programa de apoio à pastorícia extensiva

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Seg, 26/01/2026 - 08:16


José Manuel Fernandes, espera que o programa de apoio à pastorícia extensiva seja bem aproveitado

O ministro da Agricultura e Mar, anunciou, sábado, em Bragança, um programa de apoio à pastorícia extensiva, de 30 milhões de euros. Alcina Afonso, pastora há quatro décadas, natural de Carragosa, no concelho de Bragança, aplaude a medida, mas salienta que o que mais importa, agora, é criar formas de travar os ataques de lobos, na região. Só nos últimos dias, a pastora perdeu várias ovelhas e assinala que não há nada que pague o sofrimento. “No fim de setembro, mataram-me as ovelhas todas que tinha paridas. Só ficaram seis que não estavam mordidas. E agora tive dois ataques seguidos. Também ficaram quatro ovelhas paridas numa cerca e também foram lá, mataram mães e filhos, não deixaram nada. Na semana passada andava com o gado e segui para a frente e duas ovelhas paridas foram mortas por lobos. Os prejuízos às vezes pagam, outras vezes não, não sei. Demoram anos a pagar. Cai o dinheiro na conta mas nem sabemos do que é. Por exemplo, eu não sou contra que haja lobos, mas deviam fazer grandes vedações e tê-los lá. Porque, pagar os animais, nunca pagam. Pelo menos o desgosto e o valor dos animais nunca pagam”.

O ministro esteve, sábado, no “Jantar dos Pastores”, iniciativa promovida pelo Instituto Politécnico de Bragança e pelo Centro de Competências do Pastoreio Extensivo, que assinalou o arranque do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, proclamado pelas Nações Unidas. Entre os participantes esteve ainda Sérgio Fonseca, pastor do concelho de Vinhais, que representa uma realidade menos comum, a da renovação geracional. Em agosto do ano passado, depois de 20 anos emigrado em França, decidiu regressar à terra e assumir a exploração do pai, com cerca de 100 ovelhas. “A exploração já lá estava e foi só continuar. Como eu não comprei os animais, foram doados, não sei se é fácil, se é difícil. Mas… para quem tem de comprar e iniciar, as dificuldades serão outras, coisa que eu não tive. É uma vida um bocadinho presa, mas acho a vida aqui melhor do que em Paris”.

O ministro, José Manuel Fernandes, espera que o programa de apoio à pastorícia extensiva seja bem aproveitado. “Temos um novo programa, de 30 milhões de euros, do Fundo Ambiental, para a pastorícia extensiva, onde se pretende reduzir o material combustível, melhorar o rendimento do pastor, a renovação geracional, atraindo novos pastores, valorizar as raças autóctones. Esses 30 milhões de euros, por exemplo, anuais, 30 mil euros, vai ser para um prémio à instalação e esse prémio à instalação é importante para este incentivo. E, depois, pretende-se, não só a redução do material combustível, como a criação de uma fileira, a melhoria do rendimento, a produção de carne”.

A presença do ministro em Bragança aconteceu, no entanto, num momento de polémica, na sequência da divulgação de um vídeo que enviou a técnicos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, no qual apelava a uma atuação mais célere e proativa da administração pública. Confrontado com a polémica, José Manuel Fernandes rejeitou qualquer intenção de relativizar a lei. “Há muitos atrasos e nós temos de decidir rapidamente todos. Eu não peço para relativizar a lei, eu peço para haver celeridade e também peço para que não haja empatas. E nós, felizmente, temos na administração pública excelentes exemplos. E depois temos meia dúzia que empatam e que põem em causa o serviço de todos os outros”.

Entretanto, o Partido Socialista pediu uma audição parlamentar a José Manuel Fernandes. Os socialistas consideram que esta posição revela uma visão “negacionista e perigosa” sobre a preservação da natureza e acusam o Governo de um ataque à independência da administração pública, apontando ainda contradições internas no executivo.

Jornalista: 
Carina Alves