Seg, 26/01/2026 - 08:15
Torre de Moncorvo vai avançar com a construção de um Centro de Recolha Oficial, uma infraestrutura destinada a melhorar as condições de acolhimento, acompanhamento clínico e bem-estar dos animais errantes no concelho. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, José Meneses, durante uma audição na Assembleia da República, no âmbito da Comissão de Agricultura e Pescas, a requerimento do Grupo Parlamentar do Livre, na sequência das acusações públicas dirigidas ao município relativamente à gestão do atual canil. “Estamos a iniciar obras. Lançámos dois concursos que ficaram desertos e, felizmente, no início do ano, já em janeiro, temos um empreiteiro. A obra está a ser iniciada e queremos de facto levar a bom porto o centro de recolha”.
A audição parlamentar surgiu na sequência de um conjunto de denúncias tornadas públicas no ano passado, pelo Núcleo de Intervenção e Resgate Animal, que acusou o canil de práticas ilegais, nomeadamente o abate de animais recolhidos na via pública, a venda de cães de raça a particulares e a alegada cobrança de coimas a cidadãos que denunciassem a presença de animais errantes. O autarca nega as acusações e lembrou que a preocupação com o bem-estar animal no concelho remonta a 1997, altura em que foi criado o primeiro canil. “Desde 97 houve a preocupação, muito por causa dos cães de caça, e o município, na altura, fez um canil, com a gestão partilhada com o Clube de Caça e Pesca. Mais tarde tivemos a preocupação também de ter uma boxe para, de facto, quando há situações de animais errantes, podermos capturar. Com certeza não é o modelo que nós pretendemos e por isso mesmo também estamos a implementar medidas diferentes”.
Na sua intervenção, o autarca manifestou também indignação com o momento e o contexto em que as denúncias foram tornadas públicas, considerando-as “inverdades”. “O município já uma denúncia, ao Ministério Público, dessa associação, da IRA, que acusava a Câmara Municipal de estar a abater animais, sendo que o abate de animais em canis, como forma de controlo da população, é proibido. Ou seja, isto é falso, completamente falso, e veio numa altura de uma campanha eleitoral”.
O presidente esclareceu ainda que o alojamento atualmente utilizado funciona ao abrigo de um protocolo celebrado entre o município e o Clube de Caça e Pesca local, uma entidade que assegura a gestão diária do espaço, com seis funcionários, vigilância permanente, alimentação e higienização das instalações, num contrato-programa no valor anual de cerca de 75 mil euros.





