Tribunal suspende obra em Bragança para possível reconstituição no caso Giovani

Qua, 17/02/2021 - 15:24


Continua hoje o julgamento do caso Giovani, em Bragança. Na segunda sessão, esta manhã, foi decidida a suspensão de obras na avenida Sá Carneiro, para uma possível reconstituição dos factos que antecederam a morte do jovem estudante cabo-verdiano.

Foi dado a conhecer que o corrimão das escadas onde Giovani terá caído foi removido, na segunda-feira, e está no estaleiro da empresa que está a intervencionar aquelas escadas. Esta remoção deve-se à intervenção que está a ser feita na Avenida Sá Carneiro.

O advogado Ricardo Vara Cavaleiro fez um requerimento ao tribunal, pedindo que o corrimão seja recolocado e que os primeiros 40 degraus não sejam intervencionados, para já. A defesa considera que as escadas e o corrimão são um meio de prova, isto porque vão sustentar a tese de que foi essa queda que levou ao desfecho fatal para o jovem.

“Estão a decorrer obras na escadaria da travessa dos negrilhos, que fizeram com que fosse removido o corrimão central daquelas escadas e parte dos degraus dessas escadas, na parte da avenida. Apresentámos um requerimento porque consta dos elementos do processo que a vítima terá caído nessas escadas. Solicitámos, como meio de prova, a reconstituição do facto que só é possível fazer essa reconstituição com os elementos tao fiéis quanto possível daqueles que existiam à data dos factos”, adiantou.

O colectivo de juízes deferiu este requerimento mas, para já, não se pronunciou sobre se será ou não realizada uma reconstituição do que aconteceu, naquela noite, nas escadas em causa.

“O colectivo aceitou a bem da justiça, sem se pronunciar desde já quanto à pertinência ou não da reconstituição, mas se ela vier a ser deferida, determinada, o colectivo quer que se mantenha o tão fiel quanto possível os elementos que existiam à data”, afirma o advogado, que diz que a reconstituição realizada em Maio de 2020 “circunscreveu-se apenas à fase inicial e não foi reconstituído este elemento”.

O tribunal vai solicitar à câmara de Bragança que as obras sejam suspensas até ordem em contrário.

Também esta manhã, na sessão realizada no Nerba, foi ouvido mais um dos arguidos, o terceiro a prestar declarações. Carlos Rebelo Luís negou ter participado nas agressões. Agora, de tarde, o julgamento continua, servindo para ouvir um quarto arguido, Bruno Coutinho. Escrito por Brigantia.

Jornalista: 
Carina Alves