Trabalhadores da Varandas Sousa protestam por melhores salários e condições de trabalho

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Seg, 12/02/2024 - 10:07


Os trabalhadores da Varandas Sousa, antiga Sousacamp, estão em greve. Começaram no sábado, mas hoje decorrem os protestos à porta das empresas

Durante esta manhã, os trabalhadores da fábrica de Vila Flor reclamam por melhores salários e melhores condições laborais. A partir do meio-dia é a vez dos trabalhadores da fábrica de Vila Real. 

Os funcionários pedem um aumento salarial de 150 euros, a implementação de um sistema de diuturnidades assente em 10 escalões, 25 dias úteis de férias remuneradas e subsídio de férias e redução da carga semanal de trabalho para 35 horas.

"Nós já temos diuturnidades, mas são de cinco em cinco anos e nós pretendemos de três em três anos e aumentar o valor", defendeu a delegada do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, Felisbina Gomes. Acrescentou ainda que esta é uma situação que se arrasta "há uns anos", no entanto, a empresa "não se dá sequer ao trabalho" de os ouvir. "Ainda nem apareceu ninguém da empresa aqui", disse. 

A greve surge depois de o sindicato ter apresentado um caderno reivindicativo, em Dezembro do ano passado, e que acabou por ser rejeitado. 

Felisbina Gomes admitiu que o protesto pode trazer consequências para a empresa. "São duas salas que ficam com o cogumelo por apanhar, porque não tem pessoas para o colher, e amanhã o cogumelo já pode estar estragado, portanto já tem algum impacto na economia da empresa", disse. 

O grupo Sousacamp passou por um processo de insolvência e a empresa foi adquirida em 2020 pela Core Capital, tendo sido perdoada uma dívida de cerca de 60 milhões de euros, por intermédio do Novo Banco.

Segundo o jornal Eco, a Varandas Sousa tem agora luz verde dos accionistas para avançar com “um plano de revitalização a cinco anos” e prevê “este ano um investimento de três milhões de euros para substituir equipamentos e aumentar a área de produção de cogumelos”.

A empresa tem fábricas em Vila Flor, onde está a sede, Vila Real e Paredes. É a maior produtora de cogumelos do país.

Contactada a Varandas Sousa, para perceber se iriam ouvir as reivindicações dos trabalhadores ou até reunir o sindicato para negociações, respondeu que “está a cumprir um exigente processo de recuperação financeira e comercial. Depois de um período em que a empresa esteve a um passo de fechar as portas”.

Acrescentou ainda “a comunicação e o compromisso com os trabalhadores é permanente e continua a ser melhorada”, reafirmando “o seu compromisso com as pessoas e as equipas”.

Fez ainda alusão ao “momento político-partidário do país”, dizendo que é “sensível” e que compreende as movimentações do sindicato. No entanto, realçou que a adesão à greve tem sido insignificativa, a rondar os 2% nas três unidades fabris.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Ângela Pais