Qua, 31/12/2025 - 10:50
Foi um ano em que a justiça, a política, a economia e a identidade cultural se cruzaram de forma intensa, revelando tensões antigas e abrindo novas possibilidades.
O dossier das barragens do Douro voltou a dominar a agenda nacional e regional. A venda das seis barragens realizada pela EDP por 2,2 mil milhões de euros a um consórcio francês liderado pela Engie, foi considerada legal do ponto de vista criminal, mas não fiscal. O Ministério Público arquivou suspeitas de fraude, mas determinou que a Autoridade Tributária avance para a cobrança de mais de 335 milhões de euros em impostos que considera em falta. Em causa estão valores elevados de IRC, Imposto do Selo e IMT. Um dia histórico, considerou, em novembro, a presidente da câmara de Miranda.“O Ministério Público decidiu e em nosso ver e decidiu bem, no sentido de dizer que não houve crime da parte da EDP neste negócio das barragens e o Ministério Público deu ordem à AT para liquidar este valor dos impostos e agora aguardamos que esse trabalho seja feito por parte da AT e que cada município receba aquela parte que lhe cabe”, disse Helena Barril.
Em 2025, as eleições autárquicas trouxeram mudanças relevantes no distrito de Bragança. Em Bragança, Isabel Ferreira pôs fim a quase três décadas de governação social-democrata, tornando-se a primeira mulher a liderar a câmara municipal. A vitória foi atribuída a uma candidatura aberta à sociedade civil e com forte renovação de protagonistas. “Foi um trabalho muito grande de renovação de pessoas, de trazer de fora do quadrante político, estritamente partidária, muita gente. Por isso que era a equipa da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal, das juntas de freguesia, tem muita gente independente. Para muitos é até a primeira experiência política e, portanto, acho que foi uma candidatura que abriu à sociedade civil. Depois foi uma candidatura que ouviu muito o terreno”, apontou a atual autarca de Bragança.
Já em Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, candidato da Aliança Democrática, em Macedo de Cavaleiros, conseguiu destronar Benjamim Rodrigues, do PS, que estava há oito anos no poder. Neste concelho, o presidente da câmara e o presidente da Junta de Freguesia de Macedo mediram forças e Sérgio Borges acabou por levar a melhor. “É gratificante, obviamente que sei que a grandeza de uma junta de freguesia não se equipara à de um município, mas tive sempre equipas e foi sempre um altar que se colocou sempre próximo do povo e escutou o povo”, referiu o agora presidente do município de Macedo de Cavaleiros.
O ano ficou também marcado pela elevação de Mogadouro a cidade. A decisão, aprovada por unanimidade na Assembleia da República, teve um forte valor simbólico. Embora não altere a organização administrativa, a nova categoria reforça a visibilidade do concelho e a sua capacidade de atrair investimento e financiamento. “Foi com muito agrado que por unanimidade o Parlamento reconheceu Mogadouro como cidade. Vai trazer a Mogadouro naturalmente mais obrigações, mas ao mesmo tempo mais competitividade, mas também uma visibilidade maior. Acho que foi um passo grande para Mogadouro, um passo histórico”, frisou o presidente da câmara, António Pimentel.
Outro tema marcante foi o fim da concessão das minas de ferro de Torre de Moncorvo à Aethel Mining. O Governo decidiu retirar a concessão por incumprimento de obrigações legais e contratuais, depois de o projeto definitivo de exploração ter sido chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente.
Um dos momentos politicamente mais sensíveis do ano foi a demissão de Hernâni Dias do cargo de secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, a primeira baixa do XXIV Governo Constitucional PSD/CDS-PP. A saída ocorreu após notícias que levantaram suspeitas sobre possíveis conflitos de interesses, nomeadamente a criação de empresas que poderiam beneficiar da nova lei dos solos, tutelada pelo ministério onde exercia funções.
A situação agravou-se com informações de que estaria a ser investigado pela Procuradoria Europeia por alegadas contrapartidas recebidas quando foi autarca de Bragança. Embora Hernâni Dias tenha sempre negado qualquer ilegalidade, afirmando estar de “consciência absolutamente tranquila”, a pressão política aumentou, com partidos da oposição a exigirem a sua demissão e audição parlamentar.
No desporto, o Sport Clube de Mirandela foi protagonista ao conquistar o campeonato distrital de Bragança de forma invicta, garantindo o regresso ao Campeonato de Portugal. Uma época de afirmação que reforçou o papel do clube como referência regional.
A cultura também ganhou destaque em 2025 com a inscrição das Danças Rituais dos Pauliteiros de Miranda do Douro no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Um reconhecimento oficial de uma tradição ancestral que continua viva nas festas e na identidade das comunidades mirandesas.
Escrito por rádio Brigantia



