Garantidos até ao final do ano tratamentos de hemodiálise em Trás-os-Montes mas ainda há pagamentos em dívida

Sex, 18/11/2022 - 09:05


Estão garantidos, pelo menos até ao final do ano, os tratamentos de hemodiálise a cerca de 230 doentes renais de Trás-os-Montes prestados pela Tecsam, nas suas clínicas de Vila Real, Mirandela e Mogadouro

Faz hoje, precisamente um mês que a administração da empresa que presta este serviço contratualizado pelo Serviço Nacional de Saúde denunciou que estava a atravessar uma grave crise financeira, resultante de uma dívida de quatro milhões de euros por parte de entidades estatais, que podia colocar em causa o serviço.

Passados 30 dias, foram pagos cerca de 800 mil euros, o que deu para resolver problemas urgentes de tesouraria, mas a situação continua complicada.

Jorge Cruz, director executivo da TECSAM, diz que já há dinheiro para assegurar os tratamentos por mais um mês, bem como os salários e o subsídio de Natal dos cerca de 150 funcionários da empresa, mas avisa que o problema estrutural mantém-se.

“Não está resolvido, de todo. Foi feita uma transferência para uma necessidade de tesouraria imediata, mas em termos do problema estrutural mantém-se. Nós queremos que o problema fique resolvido com transferências mensais do valor mensal de uma facturação. Assim conseguimos trabalhar, de outra forma é complicado”, afirmou.

Apesar da amortização de 800 mil euros, já foi facturado o mês de Outubro, pelo que, contas feitas, a dívida ronda os três milhões e setecentos mil euros, distribuída pela Unidade Local de Saúde do Nordeste, com perto de três milhões, a ARS Norte com perto de 500 mil euros e a ULS da Guarda com 200 mil.

“Temos resposta para as necessidades imediatas, mas para o próximo mês para já ainda não temos indicação de como vai ficar resolvida a questão do pagamento da dívida. Da ARS Norte foram pagos os meses que estavam em atraso, neste momento encontra-se em pagamento os últimos três meses, mas ainda não é dívida vencida. Da parte do ULS do Nordeste, neste momento, pagaram-nos cerca de 10% da dívida, ou seja, o mês de Dezembro de 2021, mas todos os restantes ainda estão por pagar”, explicou.

No entanto, Jorge Cruz acredita que a situação vai ser regularizada, em breve, pelo menos foi essa a promessa do próprio Ministro da Saúde num encontro recente com a administração. O director executivo da Tecsam deixa a garantia que o tratamento aos doentes renais está assegurado, pelo menos até ao final do ano

Os atrasos nos pagamentos têm sido constantes desde 2011, mas agudizou- se nos últimos dois anos e em duas ocasiões, os membros da administração já tiveram de injectar dinheiro para pagar salários.

Escrito por Terra Quente (CIR)