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Fungo e calor deixaram castanha seca

Qui, 19/10/2023 - 08:19


A chuva de Setembro fazia prever um ano em grande no que toca à produção de castanha, mas as elevadas temperaturas, registadas nesse mês, fizeram cair tudo por terra

Os castanheiros começaram a secar e, com os ouriços secos, a castanha seca está. Os produtores já fazem contas aos prejuízos.

José Carlos Rodrigues tem cerca de 90 hectares de castanheiros e anualmente produz 40 toneladas de castanha. Mas, não este ano. Na visita aos soutos, perto de Soutelo, percebeu que a situação estava pior do que pensava. Os ouriços estavam no chão, mas a castanha está toda seca. “Este ano, estávamos a fazer muito dinheiro com a castanha e, da maneira como estou a ver, três castanheiros secos, um verde, iremos para os 50% de prejuízo. Mexe com 40 ou 50 mil euros. Veio muita chuva, toda a gente estava a gostar da chuva, só que veio este calor de repente”.

Este tempo foi propício ao surgimento da septoriose, um fungo que está afectar os castanheiros. O jovem agricultor David Fernandes, com soutos em Cova de Lua e Vilarinho, prevê a qualidade da castanha esteja comprometida. “Vai afectar a qualidade, porque a castanha estava a desenvolver muito, o ouriço estava já a começar a querer abrir, com este calor o ouriço fechou, a folha caiu e o castanheiro em vez de ir buscar seiva à folha, deixou de fazer fotossíntese e a seiva que estava a mandar para a castanha foi buscá-la ao ouriço para se manter vivo”.

A septoriose é a responsável por haver a hipótese de este ano voltar a ser pouco meigo para os produtores de castanha. A ocorrência de vários períodos de precipitação e uma temperatura média que é alta para o mês em que se está, criaram condições muito favoráveis ao desenvolvimento deste fungo. Eugénia Gouveia, investigadora e docente no Instituto Politécnico de Bragança, diz que não é só esta campanha que inspira cuidados. “As folhas são extremamente importantes porque é preciso ficar com reservas para o próximo, em termos de gomos, que depois dão origem ao fruto. Não havendo energia ecológica e biológica, poderá haver problemas no futuro”.

Abel Pereira, presidente da Arborea - Associação Agro-Florestal da Terra Fria Transmontana, explica que se a castanha não desenvolveu esse é um grande problema. Mas se cresceu o suficiente ela, mais cedo ou mais tarde cai. “Se a castanha não se formou há situação de perda, mas se estiver formada verificam-se apenas problemas no que toca à apanha”.

O calor fora de tempo e este fungo deixaram produtores de castanha aflitos, depois de no ano passado terem assistido a uma grande percentagem de quebras por causa da seca.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Carina Alves / Ângela Pais