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Idosos de três aldeias de Bragança recebem tablets para combater isolamento e promover envelhecimento ativo

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Qui, 05/03/2026 - 09:34


Nas aldeias de Aveleda, Varge e Rio de Onor “já foram realizadas 48 entrevistas e entregues 25 tablets”. No total, o projeto pretende envolver 56 participantes ao longo de três anos

Um grupo de idosos, de Varge, Aveleda e Rio de Onor, no concelho de Bragança, vai usar tablets, que prometem abrir janelas para o mundo. Ou seja, podem fazer videochamadas com a família e amigos, jogar, assistir à missa em direto ou contactar o vizinho da aldeia ao lado. Este é o projeto Aldeias Pedagógicas Digitais, da Azimute – Associação de Desportos de Aventura, Juventude e Ambiente.

A iniciativa quer provar que a tecnologia pode ser aliada da tradição e não a sua inimiga. Segundo o presidente da associação, João Cameira, o projeto serve para ajudar a que os idosos permaneçam nas suas casas e aldeias, com autonomia e segurança, atrasando o processo de institucionalização.

“E aqui a tecnologia poderá ser uma forma de dar alguma segurança, tranquilidade, quer às pessoas que vivem, quer às próprias famílias, porque muitas vezes são as próprias famílias que acabam por retirar os idosos das aldeias e institucionalizá-los, com prejuízo para o próprio idoso que é desenraizado do seu habitat de décadas e é institucionalizado perdendo bastante qualidade de vida. Aqui a ideia de facto é um envelhecimento ativo, o chamado ‘aging in place’, ou seja, a pessoa ter condições de envelhecer em casa com qualidade”

Os equipamentos “são personalizados e intuitivos”. Utilizá-los é fácil.

“Os tablets são todos padronizados individualmente e a tecnologia utilizada é uma tecnologia muito intuitiva. Só com dois toques eles conseguem facilmente selecionar o que querem, seja fazer uma chamada, seja ir para um jogo, seja assistir à missa em direto, seja falar com o amigo que está na outra aldeia. De facto, aqui a tecnologia é um facilitador e é cada vez mais amigável”

Refira-se que as Aldeias Pedagógicas Digitais não serão para se viver apenas dos ecrãs. A ideia é que haja uma vertente presencial, com oficinas, visitas e experiências turísticas guiadas pelos próprios idosos.

“Estamos numa aldeia, neste caso Rio de Onor, bastante turística, em que o poder ser um habitante da aldeia que viveu as questões do comunitarismo, poder ser ele em voz própria a contar essas histórias, essa vivência, tem outro valor do que ser um jovem a contar ou um guia ou outra pessoa qualquer”

O desafio surgiu no âmbito das Parcerias para a Inovação Social, promovidas pela Portugal Inovação Social. Para Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social, presente, ontem, na apresentação do projeto, esta é uma solução que conjuga futuro e identidade.

“Sendo a tecnologia inevitável para melhorar o modo como vivemos, é uma forma também de preservar o modo como vivem as pessoas sem que se isolem mais e que aos poucos se vá extinguindo esta experiência comunitária única, mantendo na aldeia com qualidade de vida e permitindo, dando tempo a que outros possam vir a tempo de aprender com os que cá estão para que esta cadeia se prolongue.”

Nas aldeias de Aveleda, Varge e Rio de Onor “já foram realizadas 48 entrevistas e entregues 25 tablets”. No total, o projeto pretende envolver 56 participantes ao longo de três anos.

Escrito por Rádio Brigantia. 

Jornalista: 
Carina Alves