Seg, 23/02/2026 - 00:22
Os tão característicos diabos andaram, sábado, à solta por vinhais. Após a missa de imposição das cinzas, pelo menos mil diabos caçam as raparigas da vila, arrastando-as até ao purgatório num carro de bois.
A tradição é antiga, mas hoje o ritual é sobretudo simbólico. Já não há chicotadas reais e tudo decorre num ambiente de brincadeira. Os mais novos participam com entusiasmo e fazem questão de integrar o cortejo, mesmo sem conhecerem bem a origem do costume.
É o caso do Rodrigo e da Margarida que já fazem isto há algum tempo. Este ano foram disfarçados de anjos, mas já foram diabos e outros personagens. Ainda assim, afirmam preferirem ir de anjo.
As encenações que acompanham o cortejo estão a cargo da Filandorra – Teatro do Nordeste, contando também com o grupo de teatro da Escola Municipal, com 30 alunos de várias idades. O diretor artístico da companhia, David Carvalho diz sentir-se lisonjeado por o município confiar na Filandorra para animar esta celebração.
“Isto é uma festa final, digamos assim, das festas de inverno. E este trabalho aqui dá-nos muito contentamento. Primeiro a confiança que a Câmara manifestou ao longo dos anos e sobretudo a escola municipal que eu dirijo artisticamente e ver que efetivamente que este é um projeto para lavar e durar, como se diz em linguagem popular.”
O autarca Luís Fernandes destaca que este é um evento de referência na agenda cultural da vila, e que traz, ao concelho, muitos visitantes curiosos pela tradição.
“O evento integra-se nas chamadas festas de inverno, começam, é verdade, em Cidões, com a festa da cabra e do canhoto, e terminam hoje com a procissão dos mil diabos. Há várias atividades, vários eventos em outros locais, e é verdade que cada vez mais, mesmo noutros locais do concelho onde é se fazem estas atividades, cada as pessoas aderem. Aquilo que pretendemos com este evento é torná-lo, como eu digo, cada vez maior e fazer com que, cada vez mais, tragam mais gente de outros lados da nossa região, do país e mesmo do estrangeiro”, disse.
O ritual místico termina com a queima e a revelação do rosto da morte, dando assim por terminada a estação escura e a chegada da primavera. E como dita a tradição “quem p’ró rosto da morte olhar, por mais um ano a irá afastar.”
Tradição cumprida, despedida do inverno feita, para o ano há mais.
Escrito por Rádio Brigantia.





