Qua, 27/08/2025 - 09:06
O fogo consumiu o que levou gerações a criar. O incêndio que começou em Mirandela chegou a Santa Comba da Vilariça, no concelho de Vila Flor. Luísa Martins viu desaparecer cerca de 20 hectares de sustento. “Perdemos um pomar de citrinos, laranjas, e figueiras. Contas ainda não conseguimos fazer. O meu pai está de rastos, mas 20 hectares podem estar perdidos”.
Agora, resta apenas esperar por ajuda, mas o desânimo é grande. “Para aquilo voltar a renascer e para voltar a ter o que tínhamos vai levar anos”.
O incêndio de há dez dias foi uma verdadeira aflição, não só pelas culturas que se iam vendo ser consumidas pelas chamas. “Não vi a GNR, passaram por nós quatro carros de bombeiros por nós e nenhum parou. Duas casas, na minha quinta, e a casa da minha sogra estavam em risco e se o incêndio ali tivesse entrado creio que toda a aldeia tinha ardido, que morríamos aqui todos. Foi a população que conseguiu acabar com o incêndio e vieram até pessoas de outras aldeias para nos ajudar”.
Com este incêndio, Vítor Gomes, que tinha 30 hectares de amendoal e 15 de olival, em Vale Frechoso, no concelho de Mirandela, e em Vilas Boas, no de Vila Flor, também viu desaparecer boa parte daquilo que tinha. “Ardeu um terço da exploração, mas ardeu também o sistema de rega associado, os acessórios, a casa de rega, painéis fotovoltaicos. Há aqui muito prejuízo, além de todo o trabalho envolvido, ao longo de anos”.
Vítor Gomes espera apenas que “o Estado esteja a pensar em medidas concretas e precisas”. Fazer contas ao que se perdeu é muito complicado. “Ainda não consegui fazer contas e é muito complicado. Parte da exploração estava em plena produção e outra parte já tinha boas produções anuais… é o trabalho de um ano que vai à vida e não só, no caso de se perderem as culturas é trabalho de seis ou sete anos que desaparece”.
As chamas também foram uma aflição em Freixo de Espada à Cinta, num incêndio que começou em Poiares e que chegou a Mós e a Carviçais, já em Torre de Moncorvo. Carlos Maçãs é mais um dos agricultores que faz contas aos estragos. O jovem agricultor apostou, há três anos, na compra de um terreno agrícola na freguesia de Mós. Dos 30 hectares, onde havia amendoeiras, pinheiros e oliveiras, arderam cerca de 22. “Queria deixar um agradecimento púbico aos bombeiros, que foram incansáveis, conseguiram salvar cerca de três hectares de olival. De resto, houve pequenas zonas em que eles conseguiram evitar que ardesse, mas a dimensão das chamas queimou a folha das amendoeiras. A colheita está comprometida”.
Agora, resta esperar pelos apoios do Governo. “Acredito que esses apoios cheguem porque foram fogos com uma grande dimensão. Os apoios nunca são o que esperamos, mas já será uma boa ajuda”.
Os incêndios levaram anos de trabalho a dezenas de agricultores transmontanos, que agora tentam fazer contas aos prejuízos.
Escrito por Brigantia