PCP avança com projeto de resolução para integrar Linha do Tua na Rede Nacional Ferroviária

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Sex, 16/01/2026 - 13:14


O PCP defendeu que o Governo e a CP – Comboios de Portugal devem assumir a gestão e a manutenção do troço ferroviário entre Brunheda e Mirandela, integrando-o na Rede Ferroviária Nacional, como condição essencial para desbloquear o Plano de Mobilidade do Tua, prometido há mais de 16 anos como contrapartida da construção da barragem do Vale do Tua

A posição foi reafirmada com a entrega, na Assembleia da República, de um projeto de resolução apresentado pela Concelhia de Mirandela do PCP, que visa exigir a concretização deste plano. “Aquilo que exigimos desta maneira é uma justiça que se tem que fazer, porque foi a contrapartida que foi dada aos habitantes e à população destes concelhos que estão abrangidos com o Plano de Mobilidade do Tua, em contrapartida da construção da barragem. A barragem já está a produzir energia desde 2019, e o que é fato é que o plano não avança.

No mesmo projeto apresentado, o PCP recomenda ao Governo integrar em todos os estudos e projetos de traçado para a futura linha Porto – Bragança. “Visto que, foi aprovado pelo Governo o novo Plano Ferroviário Nacional, que seja incluído, visto que o novo traçado que liga Porto – Bragança passa a cerca de 10 a 15 quilómetros de Mirandela, que este troço seja integrado no Plano Nacional Ferroviário”, explicou Jorge Humberto, membro da concelhia de Mirandela do PCP.

O Plano de Mobilidade do Tua está estruturado em três componentes. Um percurso rodoviário entre a estação de Foz-Tua e a barragem, um trajeto fluvial entre a barragem e Brunheda e, por fim, o troço ferroviário entre Brunheda e Mirandela.

O objetivo inicial passava por dinamizar o turismo da região, mas o processo tem sido marcado por avanços e recuos, condicionados por entraves burocráticos e pela passagem por concessionários privados.

Jorge Humberto recorda que já foram investidos milhões de euros em obras, infraestruturas e equipamentos e o plano continua sem entrar em funcionamento. “Já se gastaram cerca de mais de 16 milhões de euros e não temos qualquer tipo de deslumbre em que este plano, na forma como está, entregue a uma empresa privada que não tem homologação, nem certificação para operar, aliás nem conseguimos perceber como é que foi possível entregar esta concessão a alguém que não tenha certificação de homologação para poder operar em material ferroviário. Acredito que tenha na parte fluvial dos barcos, mas também temos uma situação em que o barco continua a apodrecer no cais da Brunheda, portanto é uma situação que temos agora a possibilidade de resolver de uma vez por todas”, remata.

No documento lê-se ainda que o Governo deve entregar à CP as verbas adequadas para esta operação e acionar processo de tentativa de recuperação de eventuais verbas da ADRVT ainda alocadas na Mystic Tua S.A e reverter para a CP e reabilitar as duas automotoras LRV2000 nas suas oficinas.

O projeto de resolução deu entrada na Assembleia da República na passada segunda-feira e seguirá agora para apreciação em comissão parlamentar, onde será avaliado antes de eventual discussão e votação em plenário.

Escrito por rádio Brigantia

Jornalista: 
Rita Teixeira