Idosos de Pinela receberam fisioterapia para melhorar saúde física, mas o convívio foi o mais importante

Qua, 25/01/2023 - 09:44


Nas aldeias mais desertificadas e isoladas, são poucos os idosos que conseguem ter acesso a determinados serviços porque só estão disponíveis na cidade, a quilómetros de distância

São, por vezes, as juntas de freguesia que tentam colmatar estas falhas. Em Pinela, os idosos têm a oportunidade de usufruir de sessões de exercícios de fisioterapia.

As sessões começaram na semana passada e vão acontecer de 15 em 15 dias, na aldeia de Pinela, mas também na anexa, em Valverde.

Júlia Afonso. 85 anos. Vive sozinha em Pinela, a sua companhia é a sua bengala que traz sempre consigo, devido aos problemas que tem de mobilidade. Mas nem por isso deixou de ir participar na sessão de fisioterapia gratuita que aconteceu no centro social da aldeia.

“Gostei muito. Em vez de estar sozinha, estava com companhia, para passar o tempo”, disse.

Com as aldeias da região envelhecidas e desertificadas são poucos os que querem sair de casa, em pleno inverno. Mas se as pessoas não vão aos serviços, os serviços vão a Pinela. A junta de freguesia estabeleceu uma parceria com uma unidade móvel de fisioterapia e houve quem não quisesse ficar em casa. Foi caso de Maria de Lurdes, de 68 anos.

“Por causa da saúde, porque eu não me mexo muito. Assim aproveitei e é um convívio, porque é raro encontrarmo-nos assim tantas vezes. É para continuar. Quero repetir e para a próxima trago o marido também”, contou.

A freguesia de Pinela, no concelho de Bragança, tem ainda como anexa Valverde. Ao todo são menos de 200 habitantes e a grande maioria são idosos. Pensar na saúde física, mas também na saúde mental destas pessoas, levou a junta a criar esta parceria, explica o presidente Alex Rodrigues.

“A média de idades ronda os 70 anos. Temos muita gente que vive sozinha, não vê ninguém durante o dia e isto é uma forma de as obrigar a sair de casa e de se divertirem um pouco, enquanto também estão a tratar da saúde. Temos pessoas que não têm capacidade financeira para estes tratamentos e também temos as pessoas que mesmo tendo alguma capacidade não têm mobilidade, não têm forma de ir a Bragança”, referiu.

Com muita animação, foram feitos exercícios de relaxamento e mobilidade. Estas sessões acontecem de 15 em 15 dias, durante os próximos seis meses. Desta forma, a unidade móvel de fisioterapia pretende chegar às populações mais afastadas, com preços mais acessíveis para determinados serviços.

“O custo da deslocação não é cobrado, porque está comparticipado pela junta de freguesa. Por exemplo, uma massagem localizada em vez dos 15 euros, só pagará 5 euros. Têm um custo reduzido dos serviços, excepto a sessão de fisioterapia propriamente dita, que tem o custo total excluindo a taxa de deslocação”, explicou Emílio Neves.

E se o objectivo foi pôr a mexer os músculos do corpo, na verdade, foram os da cara que mais se usaram.

Escrito por Brigantia

Jornalista: 
Ângela Pais