Sex, 09/01/2026 - 09:01
Henrique Gouveia e Melo diz que pessoas do interior são deixadas à sua mercê. Em Macedo de Cavaleiros, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, frisou que existe um abandono total de ideias e por isso a economia do interior deve ser fomentada de forma “positiva”.
“Nós temos que fomentar uma economia do interior de forma positiva, ou seja, com discriminação positiva nos impostos, discriminação positiva no acesso à habitação, discriminação positiva na educação, na administração pública. Nós já fizemos isso em territórios quando tínhamos o Ultramar. As pessoas iam para o Ultramar e eram mais bem pagas. Porque estavam a deslocar-se para zonas inóspitas, de difíceis de acesso. Nós temos que fazer o mesmo no nosso interior. E não é assim tão difícil. E ao fazermos isso, aumentamos o nosso potencial económico.”
Questionado sobre as rádios locais serem excluídas do tempo de antena, Henrique Gouveia e Melo afirma ser injusto e caso seja eleito presidente tudo fará para combater essas “assimetrias”.
“A informação deve fluir da forma mais facilitada possível para toda a população, incluindo a população do interior, porque senão há uma dupla exclusão. E o facto de desconsiderarmos as rádios locais, que são rádios que têm uma captação e uma penetração junto ao público do interior, é um erro que o Estado e que o sistema tem. Se eu for presidente, tudo farei para corrigir estas assimetrias porque há assimetrias que nós, para corrigir, temos mesmo que pagar. Não podemos deixar que elas se resolvam.”
Gouveia e Melo abordou ainda o tema do SNS. Para o candidato a Belém, nos concelhos mais pequenos o “stress” na saúde é menor porque “há menos pessoas”. Ainda assim, defende que essa menor pressão não significa que o sistema esteja bem organizado. “Havendo menos pessoas e havendo um conjunto relativamente reduzido de meios, mas para muito menos pessoas, o problema resolve-se. Depois o problema são as distâncias, o acesso aos hospitais centrais, etc. Mas isso não significa que o sistema esteja bem organizado. O sistema está a trabalhar relativamente bem em algumas franjas do sistema, mas nas áreas centrais o sistema está a falhar diariamente. Eu tenho dito isto, é liderança e gestão. É isso que está a faltar.”
Para o ex-chefe do Estado-Maior da Armada é “absurdo” a comissão de combate à fraude no SNS ser liderada pelo juiz Carlos Alexandre.
“Vai-se pôr um juiz a fazer o controlo no Ministério da Saúde, porque no Ministério da Saúde, pelos vistos, anda muita gente a roubar. Mas o que é isto? As componentes da gestação são direção, execução e controlo. Portanto, não se pode ter só direção e execução e depois o controlo a um juiz. Esse controlo já devia existir. E só quando houvesse qualquer coisa verdadeiramente ilegal ou irregular, é que se faz a denúncia para a investigação. Isto está tudo invertido. Portanto, a sensação que eu tenho é que alguns políticos atuais não têm a mínima noção do que é o Estado, de como é que o Estado deve funcionar e como se deve organizar o Estado.”
Henrique Gouveia e Melo esteve de visita à região, no âmbito da campanha eleitoral para as eleições presidenciais, que decorrem no próximo dia 18.
Escrito por Rádio Brigantia.




