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Júlio Meirinhos veio a Bragança falar da Maçonaria aos mais jovens

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Qua, 22/11/2017 - 09:47


A maçonaria continua a ser alvo de especulação na sociedade que vive fora dela. O secretismo ou discrição que os maçons escolhem para trilhar o seu caminho pessoal ou dentro da sociedade é muitas vezes questionado e associado a poderes ocultos. 

Com a intenção de desmistificar  o papel desta sociedade, junto dos mais jovens,Júlio Meirinhos, transmontano e Grão-Mestre da  Grande Loja Legal Portuguesa da Maçonaria esteve no liceu de Bragança e explicou que ao contrário do que se diz a maçonaria não é uma sociedade secreta.
“A maçonaria é uma instituição aberta, escrutinada, paga impostos, não depende do Estado, sabe-se onde estão as suas sedes, todos os seus sítios de reunião. Não é secreta, portanto, nem sequer chega a ser discreta. Desde sempre me assumi há 25 anos e só se assume quem quer. É compreensível que no regime de meio século de ditadura, que proibiu a maçonaria porque colidia com o regime político, como colide com as ditaduras, que os obreiros tivessem medo das perseguições, da sua vida, das famílias e por isso eram discretos porque senão podiam equiparar à morte e ao prejuízo dessa mesma sua família. Hoje não se justifica, nos países civilizados e evoluídos, em que a maçonaria deu passos importantes em toda a humanidade, na ciência, nas artes, na cultura, é um orgulho ser-se maçom e a instituição continuar ao serviço da humanidade”, explicou.
Júlio Meirinhos diz que a Maçonaria não controla a política, a justiça e os negócios embora muitos dos “irmãos” sejam homens influentes nessas áreas. Contudo, é de opinião que a sociedade seria mais justa se os decisores fossem influenciados pelos princípios maçónicos.
“Gostava que ajudasse a controlar os decisores, todos aqueles que têm de tomar decisões e trabalhar ao serviço do povo, porque o que nós queremos é que os nossos princípios toquem o dirigente em todo e qualquer sítio. Na mais pequena empresa, numa câmara, no parlamento, no governo, num café… para que sejam homens de ética, de valor, de bem. Que sejam diferentes, que se notem diferentes, que em casa sejam exemplos para a família… Esse é o exemplo que nós queremos tocar na sociedade. Agora a maçonaria não domina, não controla, rejeita, não permite discussões políticas nem religiosas no seio das suas lojas. É um sítio onde se juntam, onde se aceitam todas as religiões pacificamente, tal e qual como vêm já defendendo o Papa Francisco e que para manter a harmonia das lojas, não são admitidas discussões políticas ou religiosas. Tratamos temas políticos, mas o tema político, desde o ambiente, ao interior, aos fogos, àquilo que seja, é sempre em prol do Estado português e do cidadão”, argumentou.
Cerca de duas horas em que Júlio Meirinhos, ex-presidente da câmara de Miranda do Douro,  antigo Governador Civil e ex-deputado pelo distrito de Bragança, recordou os últimos 25 anos em que se dedica à maçonaria.
Uma entrevista Rádio Brigantia/ Jornal Nordeste que vai para o ar hoje logo a seguir às notícias das 17 horas.