Falta de médicos e ausência de progressão na carreira fragilizam serviços da ULS do Nordeste

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Sex, 30/01/2026 - 08:49


O alerta é do Sindicato dos Médicos do Norte, que denuncia dezenas de profissionais em falta, com maior incidência nas áreas de ginecologia e obstetrícia, e acusa o Governo de desinvestimento em recursos humanos no interior do país

Na ULS do Nordeste, a falta de médicos e a falta de avaliação dos que “resistem" está a fragilizar vários serviços hospitalares. A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e S, denuncia a dependência crescente de prestadores de serviço e acusa a ausência de avaliações e de progressão na carreira. “Os médicos têm de ser avaliados, os médicos têm direito a progredir do ponto de vista vertical e do ponto de vista horizontal. Portanto, os médicos têm de progredir ao longo dos escalões dentro de uma categoria e têm de abrir vagas, por exemplo, para assistente graduado sénior, para as pessoas poderem candidatar a essas vagas e serem avaliados. Porque isto é que faz com que depois também as pessoas se desmotivem. E há áreas mais carentes. Eu diria que os médicos não são avaliados e estão todos como assistentes na primeira ou segunda posição de assistente, ou estão na primeira ou segunda posição de graduado, ou estão na primeira ou segunda posição de sénior”.

Segundo a delegada sindical dos médicos da ULS do Nordeste, Elisabete Pinelo faltam “dezenas” de médicos, sendo ginecologia obstetrícia a especialização com maior lacuna. “Há muitos colegas que estão em prestação de serviços nos próprios serviços e estes estão em falta. Digamos que temos dezenas de médicos. Ortopedia, genecologia e obstetrícia são áreas com maior carência”.

Outro dos problemas identificados pelo Sindicato dos Médicos do Norte, o número, cada vez menor, de vagas para os médicos internos. Que não só criam desigualdades, mas não ajudam à fixação dos profissionais no interior. “É muito importante que também abram vagas para formação, para formar médicos. E o que está a acontecer é que há, ao longo dos anos, uma redução até para esse primeiro ano de formação, que são os internos de formação geral. Se não motivam e se não abrem as vagas necessárias desde o início, é muito mais difícil depois, no futuro, fixar vagas. E nós entendemos que há muito mais vagas, por exemplo, para o litoral do que para o interior. E esta desigualdade não deve ser assim, porque é o primeiro passo para conseguirmos atrair mais médicos aqui para o interior e para o ULS do Nordeste”.

O Sindicato dos Médicos do Norte alerta ainda para a falta de investimento em recursos humanos na ULS do Nordeste, pela “administração Montenegro”. Ainda assim, sublinha que esta unidade de saúde continua a funcionar graças ao esforço dos profissionais. “Apesar desta tempestade de desinvestimento que há no interior e, sobretudo, em termos de recursos humanos aqui na ULS Nordeste, por parte do Governo Central, do Governo de Montenegro, os médicos, de facto, vestem a camisola e conseguem assegurar os vários serviços da melhor forma e aqui o ULS do Nordeste só não está pior porque os médicos vestem a camisola e tentam fazer o melhor que conseguem com tão pouco”.

O sindicato garante que vai exigir a realização das avaliações e o cumprimento da progressão na carreira, defendendo que só com médicos do quadro e condições dignas será possível fixar profissionais no interior do país.

Jornalista: 
Cindy Tomé