Qua, 17/06/2020 - 17:43
Em tempo normais, a partir do mês de Julho, a afluência de emigrantes já começava a ser notada, mas este ano, devido à pandemia, muitos ainda têm dúvidas se devem ou não fazê-lo.
Verónica Santos, por exemplo, é natural da aldeia de Grijó, em Macedo de Cavaleiros, mas há cerca de 14 anos que vive e trabalha em Londres. Costuma vir a Portugal duas ou três vezes por ano, mas neste, além de já ter sido obrigada a cancelar uma viagem marcada para maio, ainda tem algumas dúvidas no que toca a uma possível vinda no verão. “Vai ser uma decisão de último momento, não estou a fazer planos ainda. Só de pensar que eu poderia ser a causa de contagiar alguém é uma das maiores razões porque pondero. De momento também o nosso primeiro ministro aqui pôs uma quarentena obrigatória de 14 dias para quem regressar. Eu tenho colegas emigrantes de vários pontos do país e penso que, de todos eles, só uma pessoa é que está a pensar em ir e de carro, não que ir de avião. Fico triste mas acho que a minha saúde e a daqueles com quem me preocupo e amo está em primeiro lugar”.
Já Eric Afonso nasceu em França mas é filho de pais portugueses, com raízes na aldeia de Pinela, em Bragança. Além de visitar a família, este luso-descendente também costuma rumar ao país várias vezes por ano para fazer espectáculos como dj. Graças à pandemia, algumas viagens tiveram de ser desprogramadas e o mesmo poderá acontecer com a habitual no mês de Agosto. “Vou entre seis a oito vezes por ano a Portugal. Infelizmente, os últimos meses foram difíceis e havia receio de levar o vírus e fazer mal a quem gostamos. Mesmo que houvesse aviões a circular, a motivação não existia. Sem espectáculos, acabava por não ir fazer nada a Portugal. Penso que é a primeira vez, em dez anos, que estive tanto tempo sem ir. É difícil não poder ir ao meu país”.
Ainda assim, Eric deixa ficar um conselho a todos aqueles que queiram visitar Portugal. “Segundo o que disse o Presidente da República francesa, vai haver testes livres para quem quiser fazer. Eu acho que toda a gente que queira ir de férias no verão deve fazer um teste antes, pois assim seria uma forma de certificar às pessoas que não está doente”.
E mesmo do país vizinho há quem pondere a habitual vinda de verão. É o caso de Paula Carolina, que há dois anos deixou Macedo de Cavaleiros para ganhar a vida em Espanha, estando actualmente na Ilha de Mallorca. Se em tempos normais vinha a Portugal várias semanas ao longo do ano, neste ainda não conseguiu vir nenhuma. Tem planos de visitar o país em breve mais as dúvidas são muitas.“Estamos com muitas dúvidas em relação à pandemia porque eu estou grávida e tenho medo de ir. Se não for fico muito triste porque já temos tudo planeado para passar aí uns dias, mostrar a barriga à minha avó e ao resto da família e é triste, na verdade”.
Os emigrantes com dúvidas no que toca às habituais férias de verão em Portugal que, devido à pandemia, estão por muitos a ser ponderadas.
Escrito por Onda Livre (CIR)




