Aluna do IPB assistida nas urgências depois de praxe

Qua, 19/10/2016 - 09:25


Uma aluna do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) foi assistida no serviço de urgências depois de ter participado na praxe na noite de quinta para sexta-feira da passada semana. De acordo com uma denúncia por escrito dirigida ao IPB, a que a Rádio Brigantia teve acesso, a caloira na instituição foi assistida, cerca das duas da manhã de sexta-feira devido a uma situação de stress que lhe provocou um ataque de pânico.

Nessa noite, realizou-se a designada praxe suja, que encerra o período de praxe, em que é habitual que os alunos sejam sujos com ovos, farinha ou farelos. Há também relatos de actividades como flexões e abdominais, idas a discotecas até horas tardias e o incentivo ao consumo de álcool em excesso.

O presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, garante que já ouviu os alunos acerca deste caso e que a estudante visada lhe confirmou que “estava numa situação de praxe e que participou de forma voluntária”, até porque “há o preceito de que quem sofrer de alguma situação de asma ou ansiedade ou outra doença não deve aderir a algumas partes da praxe”.

“Ela relatou-me que quis aderir, mas sentiu-se indisposta e foi com colegas e um familiar ao hospital para a avaliar o estado. Ela estava um pouco ansiosa, o que parece que já é recorrente e nesse caso nem deveria ter aderido à praxe”, sublinha Sobrinho Teixeira.

Ainda de acordo com o responsável da instituição de ensino, a jovem afirmou que os sintomas que sentiu no último dia de praxe já aconteceram noutra altura e que não pretendia apresentar queixa dos colegas.

O docente frisa que tem havido uma evolução positiva em relação à praxe, “tem sido feito um caminho muito positivo na questão da praxe”, que foi “diminuída em quase 50 por cento do tempo” e entende que seria contraproducente a simples proibição desta prática.

O presidente da Associação Académica do IPB, Ricardo Pinto, refere que foi alertado para a situação de imediato e que acompanhou a jovem às urgências, garantindo também que ela participou voluntariamente na actividade daquela noite, frisando que a associação académica “sabe que as praxes são seguras”.

Ricardo Pinto garante que não conhece casos de praxe abusiva e que tenham resultado em doença, salienta que “nenhum aluno participa na praxe obrigado”, que a associação académica “sabe que as praxes são seguras e tenta controlá-las” e reforça que essa prática “sempre foi um modo de integração e se os estudantes não fossem tão bem recebidos, a cidade perdia a vida”.

Uma caloira teve um ataque de pânico depois de tribunal de praxe. Os colegas garantem que situação era recorrente e que rapariga aderiu a praxe voluntariamente.

O presidente do instituto vai ainda ouvir outros estudantes e averiguar o que se passou para avaliar a necessidade de tomar outras medidas. Escrito por Brigantia.