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Vereador independente critica retirada de proposta e fala em “golpe de teatro” na Assembleia Municipal de Bragança

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Sex, 27/02/2026 - 09:53


Continua instalada a polémica em relação à aprovação de requisitos de nomeação dos dirigentes intermédios de 3.º grau da Câmara Municipal de Bragança, que acabou por não ser votada na Assembleia Municipal de Bragança, que decorreu na quarta-feira

Nuno Moreno, vereador independente da câmara de Bragança, diz que foi “um autêntico golpe de teatro” a retirada da Ordem de Trabalhos do ponto referente à definição de critérios de recrutamento para provimento de cargos dirigentes de 3º grau, baseada num parecer da CCDR-Norte apresentado com ‘efeito surpresa’. Para o vereador, em causa está apenas “impedir o debate e evitar uma derrota política previsível, ou seja, o chumbo da proposta”.

Numa nota enviada à Rádio Brigantina, o vereador esclareceu ainda que aquilo a que se assistiu foi um “desrespeito sem precedentes” pelo órgão e pela democracia local.

Nuno Moreno deixou ainda assente que “a apresentação de um documento estruturante no próprio dia da Assembleia, sem respeitar o prazo legal obrigatório de dois dias de antecedência para que os eleitos possam analisar a documentação que acompanha a Ordem de Trabalhos, é uma ofensa à transparência e um desconsideração e desrespeito aos elementos da Assembleia Municipal e ao executivo presente, tratando documentos de Direito Público como se fossem trunfos de um jogo de cartas”. Sobre o parecer, notou ainda que a CCDR-Norte não se debruçou sobre a questão central que se tem levantado, que é saber se os critérios de 2018 foram ou não revogados com a queda da orgânica anterior. “Nós sustentamos que a deliberação de 2018 é um ato unitário e interdependente: se a estrutura de serviços caiu, os critérios que a sustentavam caíram com ela. O parecer é totalmente omisso sobre esta caducidade, pelo que a nuvem de ilegalidade sobre a validade da norma de 2018 permanece intacta”, esclareceu ainda o vereador, que disse ainda que o parecer se foca apenas num facto, que é a legalidade do requisito "efetivo de serviço".

Nuno Moreno esclareceu ainda que a CCDR-Norte diz que limitar o recrutamento a trabalhadores da própria autarquia é ilegal e inconstitucional, mas se a presidente defende que a Deliberação de 2018 (que contém exatamente esse requisito) está em vigor e não foi revogada, então “admite que as nomeações feitas em janeiro basearam-se num regulamento que a CCDR-Norte acaba de classificar como ilegal”.

Assim, Nuno Moreno fala de uma “contradição insanável”, pois se o requisito de 2018 é ilegal por restringir o acesso a ‘efetivos de serviço’, as nomeações feitas ao abrigo desse regulamento não podem ser válidas.

O vereador diz ainda que a Assembleia Municipal foi posta de lado, tendo sido “afastada e desprezada na audição das nomeações”.

Por fim, o vereador destacou ser “curioso” ver “gente que se passeia de cravo ao peito” desprezar o Estado de Direito e recorrer ao “populismo”. “Para nós, a lei não são vírgulas vazias; são garantias contra o arbítrio. Quem ignora as regras em nome de uma suposta eficácia está a atacar a própria democracia”, acrescentou ainda, salvaguardando que “a preocupação com estes procedimentos não é ‘má-fé’. É um dever de sanidade democrática”.

Nuno Moreno terminou dizendo que Neste assumirá a questão “em foro tutelar e de fiscalização próprio”.

Jornalista: 
Carina Alves