Dom, 22/02/2026 - 22:31
Rodolfo Cidré Moreno demitiu-se da presidência da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Bragança, cargo que exercia em regime de substituição. Em comunicado, o também candidato à liderança da estrutura refere que, durante o mandato, procurou pautar-se “pela defesa dos ideais, princípios e valores do Partido Socialista”, articulando políticas com a autarquia “de forma aberta e responsável, conforme estabelecem os nossos Estatutos”.
No entanto, considera que a gestão da Câmara Municipal de Bragança tem revelado “um distanciamento com as estruturas políticas do PS, disponibilizando sem diálogo pouca ou nenhuma informação”, o que se refletiu, “num conjunto de decisões que ferem a ética republicana, social e partidária”, nomeadamente "ao nível de nomeações, renomeações e reconduções de cargos, bem como numa reorganização da estrutura orgânica que classifica de “manifestamente extemporânea e de fundamentação duvidosa”.
No comunicado, Rodolfo Cidré Moreno afirma ser “impossível ignorar o desvio ideológico” de algumas escolhas, apontando como exemplo “a nomeação para a Chefia de Gabinete de um elemento com ligações conhecidas à Extrema Direita ‘Chega’, algo que colide frontalmente com a matriz do Partido Socialista”.
O socialista critica ainda o que considera ser a continuidade das políticas dos executivos anteriores, referindo que, “em vez de uma rutura com o passado”, se verifica “a continuidade acrítica”, apontando a insistência em projetos como o Museu da Língua Portuguesa e a recente aquisição de livros de um ex-presidente de câmara do PSD, decisão que considera desalinhada com a prática habitual do município. Acusa também a existência de um “clima de hostilização constante a qualquer voz divergente”, recordando a demissão do anterior presidente da concelhia, Artur Pires.
No plano interno, Rodolfo Cidré Moreno alerta para o que descreve como uma antecipação “extemporânea” das movimentações para eleições concelhias e distritais, ainda sem data marcada. Considera que esta dinâmica desvia o foco da afirmação da liderança nacional do partido e da consolidação da estratégia política, defendendo que “agora, a lealdade ao projeto socialista exige silêncio sobre as ambições pessoais e voz ativa na defesa da estratégia”.
Militante há 26 anos, afirma-se como “um socialista de convicções, intransigente nos valores da democracia” e defensor da “Declaração de Princípios e Matriz” do partido. Face ao que descreve como “impossibilidade de exercer o mandato com a dignidade e autonomia” que considera devidas aos militantes e munícipes, e perante um cenário que classifica de “asfixia democrática e desvirtuamento do ideário” socialista, decidiu apresentar a demissão do cargo de presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Bragança.
Escrito por Rádio Brigantia.





