Produtores de Vinhais preparam-se para a 46ª Feira do Fumeiro

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Qua, 21/01/2026 - 11:17


Certame decorre entre os dias 5 e 8 de fevereiro e vai contar com 70 produtores de fumeiro

A poucas semanas da Feira do Fumeiro de Vinhais, Emília Talhas, produtora de fumeiro, já se está a preparar para o certame, com os próximos dias a dedicarem-se à produção dos vários enchidos.

Emília Talhas regressou às raízes para apostar na produção de fumeiro. Natural de Vinhais e mais conhecida por Mila, voltou definitivamente há dois anos à terra natal, depois de uma vida passada em Bragança, para assumir o negócio de fumeiro iniciado pela mãe.

Hoje, é ela quem lidera o projeto, com o apoio da filha mais velha, mantendo viva uma tradição familiar que atravessa gerações, conta a produtora de fumeiro, Emília Talhas.

“Aprendi com a minha mãe. A minha mãe levantou o primeiro fumeiro, tinha 12 anos. Foi sempre fazer fumeiro e participar na feira de vinhais. E agora sou eu a continuar os passos da minha mãe, eu e a minha filha mais velha”

No fumeiro Dona Elisa, nome que presta homenagem à mãe, nada é feito por acaso. Toda a produção assenta na criação própria dos animais, desde o porco bísaro às aves utilizadas nas alheiras.

A produção é caseira e em pequena escala. Um porco rende pouco mais de 20 salpicões, enquanto a linguiça permite um pouco mais de quantidade.

“Tudo o que tenho aqui, é feito com o animal que eu crio. Um porco dá 20 e poucos salpicões. Se fizermos o salpicão, tal qual vinhais diz. Nunca se consegue fazer mais do que 23, 25 salpicões. Portanto, multiplicando isso por 5 porcos não é grande quantidade. A linguiça dá mais um bocadinho. A alheira é o nosso ex-libris também, porque é o primeiro enchido do mundo. Portanto, temos que preservar o nosso enchido e aí sim fazemos bastante alheira porque aproveitamos tudo o que é do porco. A carne gorda, a cabeça, portanto tudo isso nós aproveitamos. E até faço só de galinha porque há clientes que me pedem só alheira de galinha. É uma galinha que eu crio, nove galos que matei este ano, só para as alheiras”, adiantou.

Na cozinha regional, vários enchidos encontram-se pendurados a secar: butelos, salpicões e linguiças já curadas, enquanto outros ainda aguardam o tempo certo. O ritmo de trabalho é intenso e meticulosamente planeado. Produzir os enchidos ocupa um dia inteiro.

“Se desfizermos o porco, por exemplo, de manhã meto logo tudo na adoba, tudo que é butelo, salpicão e linguiça, tudo separado, isto a 24 horas de encher. Se for um porco, leva-me um dia. Se for dois porcos, já me leva mais tempo. A alheira é todos os dias a fazer, partir de agora. Já vou começar no domingo, porque eu também não quero levar a alheira sem estar seca”, rematou

Segundo a produtora, apesar do aumento generalizado dos custos, os preços mantêm-se inalterados em relação ao ano passado.O produto que mais vende é, sem margem para dúvidas, a alheira. A produção ronda os 300 a 400 quilos.

A Feira do Fumeiro de Vinhais decorre entre os dias 5 e 8 de fevereiro e vai contar com 70 produtores de fumeiro.

Jornalista: 
Rita Teixeira